Trabalhar no Jalapão é colecionar histórias

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fim de tarde no Jalapão
fim de tarde no Jalapão, dez 2016

Faz seis anos que cheguei nesse pedaço de Brasil: tão diferente de mim, mas tão parecido. Afinal, sou metade sertão.

Me propus a viver os extremos, nesse vai e vem entre São Paulo e Jalapão. Aprendi com o Cerrado e, principalmente, com as pessoas que vivem dele.

Dessa rica coleção de histórias, tem a de um casal muito querido. Durante minhas idas ao Jalapão, eles me acolhem com cama, comida quentinha e muita sabedoria em sua casa erguida com tijolos de adobe, protegida por um teto de palha.

Depois de um dia longo de trabalho, Paizinho balança na rede azul, fazendo companhia pra Tonha, que costura capim-dourado.

Eles conversam sobre os filhos, já crescidos; sobre a vaca que está pra parir; o guará que ameaça as galinhas. Compartilham as dores colecionadas com a vida na roça e, também, lembranças gostosas.

Os dois cresceram juntos.

Teve uma noite, dessas bem silenciosas, que eu fiquei curiosa para saber sobre os pássaros que conheciam. Pois bem, não é que o casal entrou numa doce competição de lembrar um por um, não pelo nome mas sim pelo pio? E assim foi… Uma, duas horas de cantoria: Paizinho mais Tonha, Tonha mais Paizinho.

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