encontros.

por em Geral
Bruna, querida
Inevitável dizer: ontem fui dormir com um nó na garganta. Acordei ainda com ele, deve ser esses dias de tudo parado entre uma data importante e outra (e não deveriam ser todas as datas importantes?), deve ser o calor incômodo (e às vezes não é o frio?), deve ser as muitas merdas acontecendo pelo mundo (e nao foi sempre assim?) deve ser o cansar de estar só dentro de um apartamento e ter que inventar razões para viver e para ter sentidos (e às vezes não é agoniar-se em companhia? e não é desejar descanso de tantos sentidos?), deve ser achar que o equilíbrio só se ensaia mas nunca chega propriamente, deve ser ainda não saber bem sou e dar demasiada atenção ao ego, deve ser tanta coisa… até espírito obsessor deve ser. e talvez seja e não seja nada disso, e tudo se resuma apenas à miséria humana da qual todos compartilhamos e que apenas por vezes parece pior que outras, quando temos tempo demais para olhar pra ela, quando estamos mais sensíveis. curioso, pois deveria ser belo estar sensível, mas normalmente não passa de um mal estar amargo que nos leva a acontecimentos e descobertas, mas que dói. 
Hoje, então, acordei, tomei um banho de chuveiro, logo um de sal e outro de mel. fiz meu habitual iogurte e café e logo fui consultar o I Ching. Fiquei falando comigo mesma durante essa operação de varetas pra um lado e varetas pro outro e obviamente o I Ching só me disse coisas que eu já sabia e sobre as quais eu ia pensando enquanto o operava. Oráculo somos nós, mas é tao difícil lidar com isso. Tão duro é saber que no fundo da intuição sabemos de tudo. Acho que disso se trata viver, talvez.. Ir ao encontro ou fugirmos de nós mesmos.
Pq te falo tudo isso? não sei bem, mas teu email me fez ter vontade de te responder honestamente, de não enfeitar nada, de compartilhar contigo um sentimento porque penso que talvez ele já tenha te aparecido mil vezes e talvez conforte sentir-se nele acompanhado.
Tuas palavras me fazem imaginar como são esses teus momentos de ti contigo mesma. Na verdade, é algo que sempre penso em relação a algumas pessoas: como será que elas são quando em solidão? Nisso, acontece algo mágico: as acompanho por alguns minutos do seu estar a sós e elas me acompanham sem saber, como em um sonho. Acessar as coisas que tu compartilha por meio de palavras também tem a ver com isso, a te encontrar um pouco, e me faz lembrar de possibilidades e potencialidades dos mundos e das pessoas. Então, te agradeço.
Nesse novo ano, desejo nossos pés firmes no chão, telúrico, caminhante, desviante, tecedor de redes e caminhos necessários, e desejo corações e cabeças livres, encontros de eus com eus, eus com nós e nós com nós, como nos mil auto-retratos de Claude Cahun. Voy hacia donde estoy, todavía no he llegado, escreveu ela uma vez.
Força e ousadia pra nós.
Chega junto, sempre que quiser, a porta está sempre aberta.
Percurso de luz pra ti.
Abraço apertado
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