amor 2017.

por em Geral

A gente posta sobre as dores, aprendizados e desejos. Mas, às vezes, falamos pouco das relações amorosas, é quase um tabu. É se expor demais. Será? Xico Sá não acha, eu também não.
Se a gente escreve sobre a vida, há que escrever sobre amor. Então, provarei pra ver como é. Conto uma história íntima, e tão linda, que quero compartilhar. Anteontem acordei tarde, meio culpada. Decidi, pela primeira vez, mandar presentes pra minha família em São Paulo. Nunca tinha feito isso quando morava em Curitiba.
Cheguei nos Correios e tropecei no papel de presente de um cara. Pedi desculpa. Então, percebi que eu tinha muitos presentes e nenhum papel.
Pedi se ele podia me emprestar. Ele respondeu que tinha tudo que eu precisava. Ele, pela primeira vez em anos, ia enviar muitos presentes que ele mesmo fez pra família na Hungria. Ficamos muito tempo embalando tudo e escrevendo os bilhetes. Ele, bem mais habilidoso que eu. Então, já com fome, fomos comer e depois tomar um chá. Ele me contou que estava com seus amigos ocupando há 1 semana uma cueva na montanha, que ficava há 1 hora e meia caminhando do centro da cidade.
Quando já era noite, nos despedimos e ele foi para “casa”.
Logo, ele me escreveu uma mensagem dizendo que gostou muito de passar a tarde comigo, mas que iria embora no dia seguinte e gostaria de me ver de novo. Então, ele caminhou mais uma hora e meia e chegou até minha casa com uma garrafa de vinho.
Com humor, ele disse que ia tomar banho porque seria melhor pra todo mundo. Ele disse- enviei um presente pra família e imediatamente recebi outro presente de volta.
Quando ele estava chegando na minha casa de madrugada, pensei em “melhorar a cara”. E quando me olhei no espelho, pensei: não. Não preciso disso. Eu não quero conquistar ninguém, eu quero conhecer alguém que quer me conhecer.
Conversamos horas sobre as não coincidências, sobre os sentimentos, encontros e viagens.
Falamos sobre a naturalidade das coisas. Ninguém precisou “tomar uma atitude”. A gente simplesmente deu o melhor para o outro no tempo que nos restava.
Acordei cedo e deixei ele dormindo e fui tomar café com meus amigos. Ele estava precisando dormir em uma cama com cobertor.
Quando ele acordou, saiu para comprar leite porque ele viu que faltava. Desfrutamos do resto da manhã, ele empacotou suas coisas e voltamos aos Correios, porque ainda me faltavam uns postais para enviar. E ali nos despedimos, onde 24h antes tudo começou, muito felizes pelo breve encontro.
E eu aprendi tanto com essa história, que já me dá os sinais de como eu quero que corra minha vida amorosa em 2017.
Desejo pra todos que estão por aí, desejando amores breves ou duradouros, que não permitam mais que se aproxime quem quer economizar vida e entrega. Não é legal insistir naqueles que regulam palavras, toques e energia. Nem que seja por 1 dia.
Que a gente possa, cada vez mais, agir conforma a nossa natureza. Sim, com naturalidade. Menos cena. Mais fluidez.
Que a gente tenha mais boas referências, para lembrar que o amor existe de muitas formas. E que se for para sofrer, que seja pelas pessoas certas.
Vou sempre me lembrar que um cara caminhou em uma noite que fazia 3 graus, durante 1 hora e meia, porque às vezes a vida não nos dá o dia seguinte.
Também entendi que esses momentos muito especiais levam um tempo pra acontecer. Demoram. E aí a gente fica digerindo durante dias e dias. Não é rápido. Não acontece com todas as histórias. E dificilmente será pelo Tinder.
Desejo que a gente se lembre de como tratar as pessoas com quem passamos uma noite ou muitas, como seres humanos, como amigos. Que levar um café não seja com o intuito de conquistar, mas sim, porque qualquer pessoa que esteja na nossa casa merece um café.
Ele estava certo, porque ele tinha tudo que eu precisava: disponibilidade de entrega pelo tempo certo. Sensibilidade e respeito.

Granada, dezembro de 2016.
Granada, dezembro de 2016.

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