De-limitar contornos

por em Geral
“The Lovers, Magritte”, Michael Kauffmann
“The Lovers, Magritte”, Michael Kauffmann

 

Me disseram, uma vez, que todos temos um contorno pra além da pele que pode ser tanto impermeável, rígido; quanto amorfo, de tão poroso. Seu desenho é dinâmico, vivo, pulsante e depende da forma como nos entregamos e o que aceitamos receber das nossas relações.

A matéria-prima para nosso contorno é a forma como estabelecemos nossos limites.

E são tantas as situações que nos fazem repensar nossos limites… Se apaixonar, perder alguém, uma decepção dolorida, um novo trabalho, uma viagem longa e solitária, voltar de uma viagem longa e solitária.

Repensando minha vida, sempre que perdi as referências me ví num embate entre fazer do meu contorno um traço rígido, geralmente nas situações em que senti muito medo; ou então fazer de mim uma linha porosa, na tentativa absorver com gula tudo e todos a minha volta.

Hoje, sei que não quero ser delineada pela rigidez, pois ela não me permite expandir. Tão pouco quero um contorno amorfo, pois me interessa a consistência.

Quero respeito pelo que tenho de doce, quero poder mostrar o que tenho de amargo.

Principalmente, quando nossas linhas se fundirem – mesmo que por um segundo – me ofereça transparência; eu ofereço honestidade.

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