Sarahah, “feedbacks” e a nossa covardia.

por em Textos

Quanto eu tinha 19 anos, um redator chamado Fabiano olhou para minha cara e disse que eu era uma péssima redatora e que a julgar pela qualidade dos meus textos, eu jamais seria contratada. Aquilo me marcou, mas não me ofendeu. Porque se tem algo que a vida me ensinou, é que o “feedback” deve ser levado em conta dependendo de quem vem. Tipo quando sua foto tem uns likes, mas só tem um que realmente importa. 😛 Como eu não o admirava nem como pessoa, nem como profissional, sua opinião não faria eu refletir nem por um segundo. Anos depois, escutei de uma grande amiga que às vezes ela tem medo de me dizer as coisas por causa de algumas reações. Desde então, tenho trabalhado isso em mim. Afinal, eu quero que minha amiga se sinta confortável para me dizer o que ela acha – seja sobre ela, sobre o mundo ou sobre mim.

Para mim, o feedback é válido quando ele vem de alguém que você admira ou ama. Seja negativo, seja positivo. Me importa un carajo a opinião de uma pessoa anônima, nem que seja confete para o ego.

Confesso que fiquei um pouco assustada com a onda do Sarahah, este site em que você se cadastra para receber “feedbacks” anônimos. Me entristece saber que estamos caminhando para esse lugar onde não importa quem está falando com você, importa que estão falando com você ou de você.

Estamos tão acovardados. Não saímos mais de casa sem o escudo virtual das emoções. E eu, obviamente, não estou de fora disso. Outro dia, um amigo me pegou de surpresa ao dizer que me amava na despedida do elevador.  Desci até o térreo com os olhos cheios d’água, me sentindo a idiota que assina mensagem com beijos, love. Se esse não é o mundo em que eu quero viver, eu vou ter que dar minha cara a tapa mais vezes e tentar evitar as conversas de elevador que já se espalham por todos os lugares.

Foto: https://www.instagram.com/tsholen/
Foto: https://www.instagram.com/tsholen/

Como disse a Letticia, que disse que alguém disse: pegue o amor desprevenido e lhe conte umas verdades.

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