Fome.

por em Textos

Estava sedenta por um chocolate. Incrível como nunca tinha chocolate em casa quando estava sedenta por um chocolate. Em compensação, a dúzia de ovos parecia durar para sempre, mesmo comendo um por dia. Ovo pode, pão não.
Resolveu sair para comprar, assim, já tomava um ar. Engraçado, tomar um ar sempre significa estar fora de casa, e nunca na janela.
Estava a ponto de sair, quando deu de cara com o marido na porta.
– Você quer alguma coisa do mercado?
Segundos constrangedores e intermináveis.
-Ah, pode escolher você.
Ela tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. Já não suportava a falta de escolha em todos os sentidos. Do futuro à cerveja. Entre gôndolas de possibilidades, você não sabe o que te apetece?
Diante do silêncio, ele respondeu.
– Uma água, amor.
Pediu justo aquilo que tinha de graça em casa.

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